Wednesday, January 03, 2007

O Rochedo

As ondas espancam as pedras do rochedo.
A ventania assola as pedras do rochedo.
A chuva como kamize se joga sobre as pedras do rochedo.
Rochedo fica intacto.

Vem a caravela e atira contra o rochedo.
As pedras caem rochedo abaixo afundando a embarcacao.
A noite vem,quer engolir o rochedo.
Se nao se apaixonasse por ele.

Rochedo vai embora junto com o sol,me pergunto para aonde vai sem sol.
Me ajoelho e rezo sobre as pedras do rochedo:Ele nao se importa com final de 'Copa do mundo`, fim de século, livros, bombas atomicas,guitarras eletricas, segunda-feira fria 3:45 da manha do meu coracao ou comboios noturnos atravessando amedrontados fronteiras sangrentas.
Rochedo è alheio à tudo,è esteril, ateu, dissonante-neutro e
acima de tudo, nao se importa se sou seu fa e gostaria de ser como ele.





Augusto Monteiro

2 comments:

Vitor Souza said...

Legal você ter postado esse poema aqui. Eu já havia comentado sobre ele lá no Grupos. Muito bom! Até dá vontade de ser um rochedo: imponente e sereno.

Anonymous said...

Também queria ser, muitas vezes, como o rochedo...