Você sabe quando eu digo que nada mudou de uns tempos pra cá? Bem, eu estou dizendo isso o tempo todo e muitas vezes é porque não tenho mais nenhum assunto de que se valha falar. Eu acho que não tem nada a ver, mas me sinto triste pelo fato de não conseguir um pedaço da atenção alheia ao meu redor, estou sempre no canto meu querido, sempre no canto.
Sabe, tinha um rapaz, é um desses caras normais que sempre me deixam tristes por saber que eles vão continuar na mesma, e isso me dá certa pena desses tipos. Só que eles são tremendamente irresistíveis e eu sempre dou atenção pra quem me diz alguma coisa tipo:"oi, como vai, posso sentar aqui" e que não seja feio, se é que você me entende.
Ele, apesar de ser um completo idiota possuia coisas que me faziam ficar até mais tarde naquele banco de praça escutando umas canções estúpidas que ele mesmo fazia, descobri um tempo depois que quando eu estava alta conseguia ficar ali um bom tempo, e já passavam das onze da noite.
Esse carinha tentou se matar porque uma idiota - mais que ele - deixou-o tristíssimo, se mandou pra outra cidade com outro cara e coisa do tipo e nem disse adeus, eles tiveram um tremendo de um caso e a vaca simplesmente se mandou. Nesse ponto eu o acolhia e ele curtia isso, acho que é por isso que estávamos ali mesmo, juntos e em silêncio, nem o sexo ou coisa que o valha nos matinha unidos, acho que aquela merda toda era a cola.
Duas semanas pra frente eu tive de dar o fora e tentar a vida na faculdade, já estava bem melhor, mas de vez em quando eu pensava naquele pobre coitado, sempre tenho a sensação de que as pessoas não sabem se cuidar se eu não tiver do lado delas dando um apoio, ledo engano. Mas mesmo assim eu lembrava bem do rosto bonito dele e de algumas canções.
Me disseram que ele fora pra Europa, sortudo de merda, mas seria melhor mesmo. Ainda estou aqui.
Tainá Silêncio do Amor
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4 comments:
uau! só hoje eu fui ter tempo de sentar e ler tudo isso aqui com mais calma. tá muitobompracaralhomesmo!
Gostei bastante. Super simples e direto. Tem um que de carta ou confissão.
Maneiro.
João Pedro Fernandes Lopes
Tainá, que triste! Mas é tão real! A vida é triste, né? Essa coisa de ser jogado(a) pra escanteio combina comigo. Bonito, viu...
Nossa, acho que todo mundo que lê esse rtexto vai sentir uma certa identificação, hehehe... Como diria um crítico literário... obra naturalista ou festival "é tudo verdade".
Muito bom, Tainá. Bom mesmo.
Gisele Amaral
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