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Saudade
Muitos foram... Outros tantos voltaram. O ir e vir incessante dos transeuntes nem é combustível para esse passar de horas apressado. Mas o tempo corre. Com a pressa dos que muito querem viver. Ela pensa. O céu, a manhã, esta luz. Um perfume suave, amadeirado. Avalanche de lembranças desabando sobre um peito já acostumado com certas coisas da vida. Susto: o tempo correu, apressado. Mais rápido do que os carros que cortam a Beira-Mar. Impaciente, urgente, aflito. Atrasado. A vida passou e, às vezes, Ana parece ter ficado para ver o bonde andar. Como agora.
Nessa horas, qualquer delicado bater de asas de borboleta ou uma suave brisa vinda do mar lhe parece o mais furioso dos furacões. Turbilhão de lembranças, memória de elefante, um tanto fotográfica. Mas aquele amadeirado... Ana hesita. Lembrando Dele, o que lhe parece é que Ele nem chegou a existir. Invencionice tola de quem deseja sentir apenas, como se a vida vivida ali não passasse de uma quase apagada impressão.
Gisele Amaral
3 comments:
Deu-me uma boa impressãoo texto....
gostei dele....
Adorei o ritmo do texto. É bem musical. E tem umas frases que me pescaram e me fizeram sentir Ana, o que é ótimo.
João Pedro Fernandes Lopes
DEtonando, hem garota!?
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