Enquanto as cores estão despertas, um bairro fétido e escuro acoberta grisalhos.
Jose o corvo e seu tridente cobertos
Pernoito na carcaça de uma kombi. Acordo e mastigo uns grãos de café. Fumo um baseado com um pivete das latinhas e vou à busca de um cigarro. Em meio de uma diarréia eu vejo um maço de cigarros. Com a ajuda de um graveto, pesco a caixa e a abro. Resquícios de bosta na ponta de um cigarro. Rasgo-a. Acendo o cigarro e o passo ao pivete. Acendo o outro. “Estou procurando um disquete”, digo. “Tipo cd?” pergunta. “Não, disquete. Tipo cartão”. “Boa sorte” diz e vai embora. Decido ir à busca. Vasculho pilhas de sacos fechados atrás de algo que poderia ser de minha casa. Uma hora depois encontro uma revista de assinatura do meu bairro. Elaboro um plano para cobrir um raio de 10 metros em torno da revista. Tomo um LSD. Mexo e remexo no lixo. As cores me distraem. Evito restos de comida. Lixo não é muito asqueroso, o cheiro de morte é que é. Comida podre. Cães e gatos gastos, mortos e decadentes. O ácido perfuma as fezes. De repente me sinto em casa, pois encontro um tolete como os meus. Faço amizade com ele. Fumo um cigarro. Encontro um cinzeiro quebrado lá de casa. Encontro bagas de baseados fumados. Levo o tolete e buscamos pelo disquete. Encontramos um saco do Bompreço com papéis amassados. Podia ser meu. Abro e o encontro. Celebro no pique do ácido. Ponho-o no bolso e saio do lixão. Atravesso a rua e entro num boteco. Peço um cigarro e tomo uma cerveja. Sento o tolete na cadeira ao lado. Confiro novamente o disquete. É com certeza o meu. Vou pra casa e abro o conteúdo do disquete. Uma foto de uma gostosa. E que gostosa. Bato uma punheta, tomo um banho e vou dormir. Ainda bem que encontrei o disquete.
-Guilherme Rocha
3 comments:
sem pagação gratuita,
muito bom, muito mesmo!
Dessa vez eu não te saquei.
alguem viu o burroughs por ai?
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