Risca o muro ansiando motim. Mira o sítio. Cospe em seus farrapos pretos.
Homens armados escoltam seu consorte. Causa: vulgaridade traçada em praça pública.
Pasmem. A revolução evoluiu. Joviais e livres, poetas soldados brincam de mudar o mundo.
Um bairro se acende. Pés estrangeiros deslizam entre as ruelas.
Nadja sente pecado entre as coxas. Alcoolizada à noite faz-se fácil amar.
Segreda uma terna melodia para o agrado de Susy. Dançam coladas. Luzes as seguem.
Silhuetas lésbicas beijam-se em fricção.
Partituras voam à frente de uma criança.
O lixo amontoado faz dela o mais belo ornamento das esquinas.
Ela me manda um beijo à distância. Aceno e confirmo um jantar.
Ouço suas queixas. Faço-lhe agrados. Choramos em sintonia.
Nunca lhe dei flores, pois seu toque as faz murcharem.
Nunca disse que a amo. O romance lhe agride.
Nem em sonhos conheço seus pais.
Um velho sentado numa mureta observa o mundo. Seus olhos precisos sabem o que admirar. Mãos enrugadas descansam em seus joelhos.
De repente levanta e com a demora de folhas ao vento ele se desloca alguns metros até chegar a um banco, onde, uma vez sentado, volta a mirar o mundo.
Contempla o tempo.
O compasso é a marcha das ruas,
sombreadas pelos fados das varandas.
Onde flores sem foco enfeitam a noite, incolores,
fundidas na Canção Sem Fim.
sotaques distintos se misturam durante o dia,
e à noite se consomem.
Trovador do asfalto cante-me sua fome.
Ostente sua barba afiada, insetos e tudo,
Navegue as ruas buscando seu novo mundo.
Com o mais perfeito amor em um saco de beber
E rugas da história nos dois calçados furados.
Poetas vivem para poupá-las.
Pais de família, orgulhosos, fazem a feira de natal.
Rendendo-se aos biscoitos deixados pelas crianças
e o leitinho que lhe dá idéias,
ele cede aos agrados do jovem malfeitor
que de pijama de bolinhos e ursinho na mão,
pede ao velho Nicolau para desafivelar seu cinto
para balançarem sinos de natal.
Cerâmicas pintadas cobrem as fachadas.
Límpida em história,
Encanecida em vida.
Azul e branco para os deuses.
Creme e cor-de-rosa para os banheiros
Enfeitando tapumes, esboçando passados.
Passado. Cedido. Desfeito.
O bairro.
-Guilherme Rocha
4 comments:
Muito legal, cara! Imagens alternadas que nos remetem a uma "cidade dos pecados". Texto que faz um crossover com aquele poema do velho. Romântico. Viajei legal!
É uma festa de fato!!!
muito bom mesmo guiga!:D
até mais garotão!
Cenas poeticas ou esporrentas:causam sensacoes laxantes ou do cu fazer bico.
Gosto do jeito que brinca com as palavras, as imagens e as sequências delas.
Eu sou sua fã.
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