Tem o sabor,
Da fumaça espessa do cigarro,
Que paira em finos fios sobre teus cabelos.
Tem um que de adeus prolongado,
Espécie de confissão picotada a álcool,
De visão fugidia na multidão.
E me parece tão comum,
Como as cobertas emboladas na cama,
Que tomam teu corpo cansado.
Como tuas mãos tirando os sapatos,
Com delicadeza e calma.
Tem um pouco do sorriso insincero,
Do comercial das pastas de dentes,
Que por alguns segundos enganou a garçonete.
Tem a fração da meia-luz,
Da maquiagem cobrindo teus olhos,
Na porta do banheiro.
E me parece tão comum,
Feito sabão lavando tua pele,
A enfeitando de espuma.
Tão comum essa nudez da tua alma,
Encharcada, enrolando a toalha no espelho,
Desfazendo os cachos; sonâmbula.
João Pedro Fernandes Lopes
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2 comments:
joao meu velho,
vc ainda tem pulmão?! rs!
mateus
Também gostei desse. Vai ser foda fazer umaa coletânea desses textos.
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