E se um anjo de luz com olhos negros te aparecesse vívido, com a mão aberta e riscada em linhas onde toda a vida que você nunca teve lhe fosse estendida? Por um segundo, e numa piscadela, pude experimentar uma eternidade de conforto e poder, beleza e riqueza. O mundo ajoelhou-se a meus pés e ofereceu-se em sacrifício aos meus mais obscuros desejos.
Nessa eternidade pude provar o sexo perverso e doentio que se cicatrizou em algum lugar escuro entre a alma e o espírito. Pude subjugar todos os meus ex-semelhantes, impondo-lhes minha ditadura de ordem onírica e subserviência. As regras faziam e desfaziam-se ao puro fluxo da consciência, e os sentidos acariciaram as mais tenras carnes já nascidas nesse lodo.
Assisti a uma guerra de camarote, onde filhos loucos desfolhavam seus pais com facas de cozinha, e regozijavam-se no remexer de suas vísceras recém estripadas. As mães gritavam em furor de uma arquibancada, e pediam mais sangue. Isso me deixou profundamente feliz.
Beleza e admiração juntaram-se em moléculas que construíram meu corpo naquele instante, e não havia um lugar onde não fosse cultuado e desejado. O corpo retesou-se a despeito dos anos vividos, e mostrou-se em curvas jamais idealizadas por estátuas gregas outrora esculpidas. Os punhos seguraram o mundo sem força, como um Atlas de pé, pronto para rodar o universo como um peão de corda.
Com seu sorriso demente, o anjo estava lá, e já não especulava possibilidades... Deliciava-se com a alma recém conquistada. Aceitei.
Nessa eternidade pude provar o sexo perverso e doentio que se cicatrizou em algum lugar escuro entre a alma e o espírito. Pude subjugar todos os meus ex-semelhantes, impondo-lhes minha ditadura de ordem onírica e subserviência. As regras faziam e desfaziam-se ao puro fluxo da consciência, e os sentidos acariciaram as mais tenras carnes já nascidas nesse lodo.
Assisti a uma guerra de camarote, onde filhos loucos desfolhavam seus pais com facas de cozinha, e regozijavam-se no remexer de suas vísceras recém estripadas. As mães gritavam em furor de uma arquibancada, e pediam mais sangue. Isso me deixou profundamente feliz.
Beleza e admiração juntaram-se em moléculas que construíram meu corpo naquele instante, e não havia um lugar onde não fosse cultuado e desejado. O corpo retesou-se a despeito dos anos vividos, e mostrou-se em curvas jamais idealizadas por estátuas gregas outrora esculpidas. Os punhos seguraram o mundo sem força, como um Atlas de pé, pronto para rodar o universo como um peão de corda.
Com seu sorriso demente, o anjo estava lá, e já não especulava possibilidades... Deliciava-se com a alma recém conquistada. Aceitei.
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Mateus Souza
9 comments:
legal mateus .. lembrou-me um pouco as imagens de burroughs.
essas distopias com sede de sangue são sempre bem-vindas
Forte pacas. Dizer "demoníaco" é redundância, claro. Mas quem já não quis um poder assim? Só um hipócrita não se identifica com os devaneios do protagonista. Bom!
vitor meu velho, imagine que isso foi um sonho louco, numa hora em que me sinto meio impotente. foi assustador, mas eu tava empolgadíssimo com o sonho!
um prazer barato!
somos nós!!
Nossa. Forte. Puro impacto.
Não saberia como reagir diante de tudo isso!
do sexo perverso - pode-se sentir a santidade do toque?
Nada longe dos relacionamentos familiares de hoje e das ganâncias egocêntricas. Gostei.
Sim, o poema é meu. Tinha escrito há bastante tempo e publiquei no texto agora.
Gostei!
Bem escrito e me lembrou Jim Morrison, pq será? hehe
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